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  • A Missão no Antigo Testamento

    A MISSÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

    INTRODUÇÃO

    Com muita frequência, o Antigo Testamento é interpretado em termos estritamente nacionalistas ou do ponto de vista legalista, no entanto, é o AT quem lança as bases para a compreensão de missão no NT. O amor criador e redentor de Deus é a base central para o conceito de missão no AT a missão no AT é ação ou iniciativa de Deus à missio Dei que significa, antes de tudo, que a missão é obra de Deus. O conceito de “missio Dei” foi mutuado da escolástica por Karl Barth em 1932. De lá para cá, o conceito assumiu um leque bastante amplo de significados, às vezes contrários aos intentos de Barth. Em todo caso, a ideia ajudou a expressar a convicção que a Igreja não é autora e a detentora da missão. Esta “última é, antes de tudo e fundamentalmente, obra de Deus uno e trino.” É ele o protagonista da missão. Esta missão se revela como o plano de Deus na história humana e leva a termo o projeto do Reino. A Igreja continua o caminho missionário, mas não se substitui a Deus. Somente Ele é a fonte, o método e o fim da missão.   A iniciativa de Deus antecipa, acompanha e leva a termo a atividade missionária.                   

    Em Gênesis 3.15 dá se a revelação, o início do plano redentor de Deus para humanidade e em Atos dos Apóstolos revela-nos que toda a ação missionária está sob a responsabilidade do Deus Trinitário. “Nem quem planta, nem quem rega é alguma coisa, mas Deus que dá o crescimento” (I Co. 3.7). Ao conhecer nosso Deus por meio de Jesus Cristo, e estudarmos a sua Palavra, descobrimos que a iniciativa missionária é do próprio Deus. Desde que o homem caiu em pecado, desobedecendo à ordem do seu Senhor (Gn 3), Deus está em busca do homem. As consequências do pecado são tantas que separam o homem de Deus, deixando-o morto em pecado (Gn. 2.17, Ef. 2.1). Devido a esse fato, a primeira promessa de um Redentor que está por vir é de tremenda relevância. Essa promessa foi feita a toda raça humana. Gênesis 3.15, o proto-evangelismo é uma promessa de importância universal. Aqui, a universalidade bíblica nasceu à medida que a esperança foi anunciada para toda humanidade. 

    Gênesis 1- 11

    Boa parte de Gênesis 1-11 fala do fracasso humano em relação à sua incumbência dada por Deus, da mesma forma que boa parte do Antigo Testamento focaliza o fracasso do povo escolhido em relação ao seu papel diante de Deus e diante do mundo. Aliás, em Gênesis 3-11, o fracasso humano aumenta e se intensifica cada vez mais.

    Com o fracasso humano, surge uma necessidade de reparo e restauração. O Deus que age na história e no mundo é o Deus que resgata e que restaura. Com a queda, já surge uma promessa, ainda que enigmática, de restauração (Gn 3.15). Ao longo das Escrituras, esta promessa de endireitar o mundo e a humanidade caídos é ação divina, mas também envolve a participação humana (Gn 12.3). Assim, com a queda nasce, em primeiro lugar, a missão salvadora de Deus e, depois e eventualmente, a missão evangelística da igreja.

    Gênesis 12

    Gênesis 12 introduz uma nova era na história da salvação, uma história particularista em método, mas universalista em promessa, desígnio e efeito. Só é possível compreender a chamada de Abrão quando se examina o prólogo primevo, do capítulo 1 a 11 de Gênesis. Após a criação do mundo, os capítulos iniciais do livro de Gênesis relatam o quanto o homem se afastou de Deus. Ou seja, o pecado trouxe tristes resultados para a vida humana e a sociedade foi pouco a pouco se degradando – Gênesis 6.5. Nos dias do dilúvio Deus enviou Noé (2 Pe. 2.5), ele com muita fidelidade deu cabo de sua missão, não lhe faltou nada, Noé construiu a arca e abrigou-se nela com sua família. Mesmo assim podemos observar que o pacto com Noé e seus filhos, definitivamente envolve todas as nações. Em todo esse período Deus quis salvar os homens, que o rejeitaram continuamente.    Mesmo após o dilúvio observamos que o homem ainda assim continuou se afastando de Deus o clímax da corrupção da humanidade é relatado na história da torre de Babel – Gênesis 11.1-9. É significativo notar que, justamente no contexto do relacionamento de Deus com toda a humanidade, surge a chamada de Abraão. Isso mostra que Deus vocaciona Abraão em função do seu propósito de salvar todas as nações. “Na verdade, toda a história de Israel nada mais é do que a continuação do trato de Deus com as nações, e que, portanto, a história de Israel só pode ser entendida na perspectiva do problema não resolvido da relação de Deus com as nações”. (JOHANNESBLAUW), (A Natureza Missionária da Igreja, Aste, 19 p.). Deus chamou Abraão a fim de abençoar “todas as famílias da terra”. (Gn. 12.3). O alcance da bênção era universal, ninguém pode reduzir esse chamado de Deus a algo sem importância. Abraão realmente recebeu uma comissão missionária que também foi dirigida a todos os seus descendentes.

    1. A vocação de Israel                  

    O Antigo Testamento mostra que Deus vocacionou seu povo para servir a todas as nações. Um momento muito importante da história da Israel foi quando o povo de Deus se libertou da escravidão do Egito. No Sinai, ao fazer uma aliança com o povo, Deus fez uma declaração que tem grandes implicações missionárias: Êxodo 19.3-6 Deus tinha uma finalidade ao libertar seu povo. Ele desejava que Israel se tornasse um reino sacerdotal e uma nação santa. O povo de Deus deveria cumprir uma função especial dentre todos os povos. A ideia do texto não é que todos os israelitas deveriam tornar-se sacerdotes, mas que o povo, na totalidade, deveria atuar como um mediador entre Deus e as outras nações. Israel recebeu a incumbência de representar o Senhor diante de todos os povos.

    Vejamos abaixo um Salmo que apresenta a vocação sacerdotal do povo de Israel:

     
    “Seja Deus gracioso para conosco e nos abençoe, e faça resplandecer O seu rosto sobre nós, para que se conheça na terra o seu caminho, e entre todas as nações a sua salvação. Louvem-te, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.” (Sl 67.1) ARA.

     Este Salmo faz uma releitura teológica da bênção sacerdotal de Aarão, Números 6.24-26. O salmista compreendeu que o sacerdócio não deveria ser desenvolvido em um âmbito exclusivista, isto é, somente para abençoar Israel. Alguns hebreus nacionalistas entendiam a bênção de Aarão nos seguintes termos “O Senhor abençoe e guarde apenas os israelitas”. O salmista se opõe a essa interpretação e afirma que o objetivo da bênção de Deus é levar a salvação “entre todas as nações”. O caráter missionário deste salmo pode ser visto no fato de que ele aplica a todos os povos aquilo que alguns relacionavam somente aos filhos de Israel. O Antigo Testamento mostra que o povo de Israel não cumpriu sua vocação missionária. Diversos textos Bíblicos mostram que, lamentavelmente, os israelitas não obedeceram aos propósitos de Deus.

    De modo geral, as atitudes do povo de Deus foram marcadas pelo egoísmo, em vez de agirem com justiça e honestidade, preferiram satisfazer seus próprios interesses, em vez de ser um canal de bênçãos para os demais, optaram por levar vantagem em tudo o que faziam. Deus não aprovou as ações de Israel e julgou seu povo.

     
    O centro das mensagens dos profetas é o de que a justiça, o amor e a misericórdia de Deus se estendessem por intermédio do povo de Israel a todas as nações, Habacuque, Miqueias, Joel, Sofonias, Obadias, etc. Todos enfatizam a mensagem missionária, a responsabilidade do povo de Deus em ser uma nação missionária. Mas Israel não cumpriu sua vocação, então em cumprimento da aliança feita com Javé o juízo era iminente. Um dos profetas que anunciaram o juízo de Deus foi Oseias:

     “E o Senhor disse: Põe-lhe o nome de Lo-Ami; porque vós não sois meu povo, nem eu serei vosso Deus.” (Oséias 1.9) ARC.

     Se compararmos as passagens da Bíblia que mostram Deus escolhendo seu povo com o texto de Oséias, veremos um grande contraste. Devido à infidelidade de Israel, Deus declarou: “Vocês não são mais o povo de Deus!” De modo diferente ao que os israelitas pensaram, o fato de ser o povo escolhido fazia com que devesse ter uma grande responsabilidade.            

     Como não cumpriam sua parte no pacto com Deus, recebiam um julgamento exemplar. É triste notar que Israel falhou em executar o plano de Deus. No entanto, convém ressaltar que a falha humana não atrapalhou os propósitos do Senhor. O Messias enviado por Deus haveria de cumprir plenamente a vontade divina. Ao contrário do que muitos pensam, obtemos no Antigo Testamento uma sólida base para a obra missionária.                          

    No entanto, como qualquer um pode notar, existem vários aspectos de MISSÕES que não são encontrados no Velho Testamento. Não há, por exemplo, uma ordem explicita para que o povo de Israel deliberadamente vá às outras nações, a fim de convertê-las à fé judaica.

    Considerações finais

    Com a chamada de Abrão, Deus da – se início a formação de uma nação que deveria continuar o seu plano de levar sua gloria sobre a terra (Gn. 12.1-3). Deus chama Abrão e todos os seus descendentes e ser uma benção para todas as nações. Como vimos embora à promessa tenha sido dada a Abraão, a tarefa deveria ser cumprida pela nação de Israel. O propósito de Deus para Israel era missionário, infelizmente eles não cumpriram a ordem dada por Deus. O termo “mishpahã”, família ou clã, descrito em Gênesis 12.3 tem o mesmo valor grego “etne” em Mateus 28.19 e de “etnous” de Ap. 7.9. Desses textos originou-se o termo latino “étnico”, significando raças, tribos, povos e nações. Na eleição de Deus Israel como “Laos” (povo exclusivo), esta incluída a sua vocação missionária para todos os povos. A eleição de Deus a Israel implica em serviço, não em favoritismo. A eleição não tem nenhum propósito em si, somente no reino de Deus. A eleição não é primariamente privilégio, mas responsabilidade. Se a responsabilidade é recusada, a eleição pode até se tornar motivo para punição: “portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos” Mat. 21.43 ARA ver também, (I Pe. 2. 4-10).

     Israel falhou em cumprir o papel missionário, e até hoje eles pensam na benção de Deus de modo exclusivista. Deus por meio de seu filho Jesus Cristo decidiu organizar um povo, que é a Igreja (o Israel espiritual), e esta igreja está debaixo da responsabilidade de pregar e enviar anunciadores (missionários) para o mundo, porque ela própria é o produto da mensagem trazida ao mundo por Jesus Cristo. Toda responsabilidade da obra missionária deste tempo presente está com a igreja. Omitir-se é tornar-se culpado do sangue de milhares e milhares de pecadores que estão debaixo das garras do pecado, perdidos e sem salvação.

    BIBLIOGRAFIA

    Almeida, João Ferreira: Bíblia Sagrada Revista Atualizada ARA 2000/ ARC 1995Apostila IBES – MissõesPETERS, George W. – Teologia Bíblica de Missões. 2ª edição CPAD. Rio de Janeiro2000.JUSTINO, Alcino Filho – Missões no Ritmo do Coração de Deus.Apostila – SETESC.

    BLAUW, Johannes. A natureza missionária da Igreja: exame da teologia bíblica da missão. São Paulo: Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE), 1966.


  • Introdução à Missiologia

    Introdução à Missiologia

    INTRODUÇÃO

    Missiologia: é a ciência que tem por objetivo o estudo da grande comissão dada por Cristo Jesus a sua Igreja. A missiologia dedica-se, principalmente, ao caráter transcultural da tarefa evangelizadora. É o estudo da obra missionária ordenada por Jesus Cristo aos seus discípulos, no sentido nacional e transcultural (MT. 28. 19 / MC 16. 15 / AT 1. 8).

    A palavra “Missiologia” vem de duas outras, do latim “missione” que significa função ou poder conferido a alguém para um propósito especial em outra nação, terra, território, grupo ou domínio, e Logia, do grego “logos”, que significa estudo, tratado, doutrina, teoria ou ciência.

     O estudo de missiologia é de fundamental importância, por se tratar da tarefa suprema da igreja, o qual é a evangelização dos povos. Durante muitos anos, ouvimos falar a conhecida frase: “Missão está no coração de Deus”. Nós sabemos que o interesse de Deus sempre foi, e sempre será, alcançar a todos os povos, raças, nações e tribos de todas as línguas. Entretanto, nesses últimos dias, Deus está interessado em saber se missões está também em nossos corações. O ponto fundamental da missiologia é definir as estratégias e os parâmetros da grande comissão dada por Jesus, tais como: Quem envia e quem é enviado; quais são os obstáculos das missões contemporâneas; como será o alcance dos povos não alcançados e a evangelização de todos os povos, de uma maneira geral, assim como também o sustento do missionário e sua família.

     Deus fez o papel do primeiro missionário, quando desceu até o Jardim do Éden e proclamou o evangelho aos pais de toda raça humana, escondido nos lombos de Adão (Gn. 3.15), depois disso, Jesus fez o papel de enviado, quando completou a missão daquele que o lhe confiou, e hoje Espírito Santo é o agente das missões contemporâneas.

    1. Relação entre a Teologia e a Missiologia

    Como resultado da Teologia temos o relacionamento e a comunicação continuada entre o homem e Deus. Foi aí que surgiu a Missiologia, pois, Deus deu uma tarefa ao homem para continuar o processo de despertamento teológico do mundo perdido. A Missiologia é o meio pelo qual a teologia alcança seus objetivos. Podemos afirmar que a Missiologia é um produto da Teologia, e que uma sem a outra perde seu significado. Somente as duas juntas são capazes de levar avante o plano da salvação.

    Portanto, podemos afirmar que Teologia sem Missiologia não tem sentido, já que o alvo final da verdadeira Teologia é justamente o propósito único da Missiologia.

    Teologia sincera move-nos sem dúvida para a missiologia pratica, como um meio efetivo de alcançar o alvo final da própria Teologia, a saber, o homem redimido, levando ao homem perdido as boas novas de que Deus enviou seu único Filho para salvá-lo da destruição eterna.

    Deus, o Primeiro Missionário

    Toda criação de Deus é importante. Porém, Deus escolheu o homem de um modo especial, formando-o à sua imagem e semelhança (Gn. 1. 26 – 28).

    Deus criou os seres angelicais, com graus distintos de responsabilidades e autoridades. Deu a um querubim uma formosura jamais vista em outros anjos e sabedoria esplêndida (Ez. 28. 12-17). Esse anjo atuava como primeiro-ministro de Deus, tendo além das qualidades citadas, grande poder e livre arbítrio. Mas, com tanto poder e formosura, Lúcifer, conforme ficou conhecido, ficou tão deslumbrado com o que Deus lhe dera que desejou “ser semelhante ao altíssimo” (Is. 14. 14), com isso encabeçou uma rebelião jamais vista em toda história, com o propósito de estabelecer um reino espúrio, juntamente com os anjos que lhe acompanharam nesta rebelião (Ap.12:4-9). 

    Por incitar a rebeldia, Lúcifer, agora chamado de Satanás, recebeu o juízo de Deus e a expulsão dos céus. Tempos depois da rebelião, Deus fez outra criação, a qual também concedeu livre arbítrio: o homem. Ao criá-lo, Deus mostrou o seu cuidado especial: fez um jardim de delícias para a sua nova criação habitar. Satanás, observando isso, encheu-se de ira e ciúme, e partiu para perturbar e atacar o homem, a nova criação de Deus.

    Deus estabeleceu um relacionamento de companheirismo, e comunhão com Adão e Eva, no Jardim do Éden, mediante o amor. Para que eles continuassem esse relacionamento com Deus, teriam apenas que passar na prova de obediência total à vontade divina, mas eles falharam. Deus em sua onisciência já havia previsto a possibilidade do homem pecar e idealizou um meio para resgatá-lo. E foi assim que Deus desceu ao Jardim do Éden, naquela tarde sombria, e proclamou, como autêntico missionário, a primeira mensagem evangelística, registrada em Gênesis 3.15, “… porei inimizade entre ti e a mulher, entre a sua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirá o calcanhar”. Esta é a primeira referência a Cristo na Bíblia, relacionando a derrota de satanás, a sua sentença e as boas novas da vitória sobre o fracasso do homem em servir a Deus. Naquele momento, Deus estava anunciando Cristo a todos os descendentes de Adão, que iriam nascer no decorrer dos séculos.

    Jesus, o Missionário enviado por Deus

     Em João 3. 16 encontramos o plano de Deus se caracterizando, ao enviar o seu único Filho ao mundo, para construir a história da redenção, numa inexplicável expressão de amor, a ponto, do apóstolo João, que soube tão bem descrever a cena apoteótica do amor de Deus, ter usado a expressão “de tal maneira”, como uma forma de tentar explicar a profundidade do amor de Deus ao mundo. Amor este que ultrapassa as fronteiras culturais, racionais e linguísticas, não se restringindo a uma raça, nação ou grupo cultural específica. Ele ama a todos os povos e deseja que todos os homens se arrependam e sejam salvos, mediante a obra realizada por Jesus Cristo. Conforme o texto de (2 Pd. 3. 9) “… Ele é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos se arrependam”.

    A Grande Comissão feita por Jesus Cristo

    Após a ressurreição, o Senhor Jesus Cristo priorizou três ordens aos discípulos, a saber: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc. 16. 15). “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (MT. 28. 19). “E sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém…, até aos confins da terra”. (At. 1. 8). Estas três passagens bíblicas são suficientes para descrever as prioridades do Senhor Jesus, sendo a evangelização do mundo. Antes mesmo da ressurreição, o Senhor Jesus Cristo já havia dito que primeiro, o evangelho seria pregado a todas as nações e depois viria o fim (MT. 24. 14). Já naqueles dias, o Senhor Jesus sentia tanto a necessidade da obra missionária que certa vez, ao olhar para seara, e ainda faltando quatro meses para a colheita! O Senhor via os campos brancos para a ceifa: “Não dizeis vós: ainda há quatro meses até a ceifa? Eu vos digo: Erguei os vossos olhos e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa” (João 4. 35).

    Espírito Santo, o Propagador das Missões

    O livro de Atos dos apóstolos menciona os grandes feitos dos apóstolos no início do cristianismo, em Jerusalém. Nós sabemos, entretanto, que os discípulos nada fariam se não fosse o preceito dado pelo Senhor Jesus, antes da sua ascensão aos céus: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vos o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda Judeia, Samaria, e até os confins da terra” (At. 1. 8).

    Após terem sido cheios do Espírito Santo, o mundo foi alcançado pela pregação do evangelho, e isso se deve ao grande propagador de missões, o Espírito Santo. É ele o maior incentivador da obra missionária, pois impulsiona, encoraja e chama os missionários, nós percebemos tal afirmação no livro de Atos, capítulo 13, quando a Igreja de Antioquia estava reunida: “Disse o Espírito Santo: Separai-me agora, Saulo e Barnabé, para obra que os tenho chamado” (At. 13. 2). A missão do Espírito Santo é chamar os missionários, como também é convencer o mundo do pecado da justiça e do juízo (Jo. 16. 8). Os missionários são enviados para pregar ao pecador, mas é o Espírito Santo quem os convence a aceitar a mensagem pregada pelos missionários.

    Bíblia, o Livro Missionário

    Sem a Bíblia, a evangelização do mundo seria não só impossível, mas também inconcebível. Ela nos dá o mandato, o modelo e o poder para evangelização do mundo, a Bíblia não apenas contém o evangelho, como ela é o próprio evangelho (boas novas). Através dela, Deus está evangelizando, isto é, comunicando as boas novas ao mundo. Jesus mesmo ordenou aos seus discípulos, dizendo: “Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc. 16. 15). A Bíblia é o manual do missionário, sem ela não há salvação: “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir a palavra de Deus” (Rm. 10. 17). “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo. 8. 32), portanto a Bíblia é a ferramenta inseparável do bom soldado (Js. 1. 8). Diante desta breve exposição do contexto bíblico da origem das missões tendo seu início com o próprio Deus, vamos agora analisar alguns pontos importantes tratados por esta disciplina.

    2. Missão abrange três estágios:

      Visto que o significado da palavra missões é enviar, mandar, remeter. O enviado vai para anunciar Cristo e o plano de Deus para a salvação de todos os homens. Sendo assim missões abrange três estágios bem definidos que são: 

    A. Missão local: abrange a comunidade local e circunvizinhanças. Ex: bairros e cidades vizinhas.

    B. Missão nacional: abrange todos os limites da nação de origem do missionário (a).

    C. Missão transcultural: abrange até os confins da terra.

    3. Como a igreja deve ver a obra de missionária

    A igreja deve ver a obra missionária como um privilégio jamais concedido ao mundo. É tão grande esse privilégio que os anjos queriam realizá-lo, mas não puderam (I Pe. 1. 3-12). A igreja é uma embaixada do reino de Deus neste mundo. Cada um que na igreja se envolve com a evangelização e obra missionária torna-se um embaixador de Deus entre os homens. É assim que a igreja deve ver o trabalho missionário hoje. Não obstante a igreja ser o instrumento de Deus na terra para a propagação de seu reino, ela deve ter também como objetivo visualizar pela direção do Espírito Santo e preparar homens e mulheres para o campo missionário. É a igreja quem deve enviar e dar respaldo para os que pelo Espírito Santo são chamados e separados para a obra missionária (At. 13). A igreja através de seus líderes deve buscar subsídios para o sustento do missionário realizando entre os fiéis uma conscientização da necessidade de contribuir, orar e abraçar a causa missionária que é a obra de Deus. A cooperação é o melhor caminho para a realização da obra missionária (Fil. 4.14).

    Paulo não poderia levar a cabo tudo o que fez sem o apoio e a ajuda da igreja de Filipos. Essa igreja deu-lhe suporte financeiro e sustentação espiritual. Aqueles que estão na linha de frente precisam ser encorajados por aqueles que ficam na retaguarda. “… porque qual é a parte dos que desceram à peleja, tal também será a parte dos que ficaram com a bagagem; igualmente repartirão” (1Sm 30.24).Deus chama uns para irem ao campo missionário e aos demais para sustentar aqueles que vão. A obra missionária é um trabalho que exige um esforço conjunto da igreja e dos missionários.

    4. O missionário e seu preparo

    Jesus treinou seus discípulas antes de enviá-los a pregar, (Mc. 1.17), a vocação do missionário implica no discipulado (vinde após mim), em ser treinado por Cristo (eu vos farei), e no esforço de ganhar homens (pescar).  Em primeiro lugar Jesus chamou, nesse processo é reservado um tempo para o treinamento, para estarem com ele. Então vem á última parte, (enviar para pregar).  Num período de três anos e meio os discípulos estiveram com Jesus e puderam receber lições preciosas que seria a base para os seus ministérios. No sermão da Montanha, Jesus trabalhou o caráter dos discípulos, ele também deu aulas práticas de evangelismo, estratégias de missões e lhes deu a grande comissão, prometendo estar com eles todos os dias! Quando um candidato à obra missionária é discipulado na sua igreja local, e tem experiência de trabalho nessa igreja, já é um grande passo. Porém existem outras áreas que merece ser incluídas no preparo deste futuro missionário, Tais como:

    a)  Preparo Espiritual

    Chamada pessoal definida, vida espiritual, profunda experiência de salvação e comunhão com Cristo, falar, andar e viver, fé, maturidade e firmeza espiritual, convicções espirituais inabaláveis que vem de buscar a Deus e confiar na sua Palavra. Ser cheio do Espirito Santo.

    b)  Preparo Teológico, para atender as exigências do seu trabalho, visando que o povo espera um bom conhecimento bíblico da parte do missionário, para firmar suas próprias convicções e sempre ensinar biblicamente, nos mais diversos assuntos e doutrinas para poder convencer o não crente e instruir os novos convertidos.

    c) Preparo cultural, estudos em Antropologia, estudos em Sociologia, curso de primeiros socorros.  Começar estudar o idioma do país antes de chegar lá, estudar a geografia, costume, história, religião, e demais aspectos da vida do povo.

    d)  Preparo financeiro, é exigido hoje em dia em quase todos os países do mundo uma quantia garantida mensalmente pela missão ou pela igreja.  Deve-se saber o custo de vida numa base média do país onde pretende trabalhar.

    Conclusão

    Nestas poucas paginas visamos apenas os aspectos básicos  da missiologia o assunto é extenso e seria necessário um espaço muito maior para abordarmos todo o assunto, mas creio que tudo o que foi abordado nestas páginas nos dão uma visão mesmo que sintética da extensão e complexidade desta disciplina, creio que nas próximas disciplinas o aluno obterá um complemento para sua formação. Que Deus vos abençoe.   

    Marcos Moraes de Paula

    BIBLIOGRAFIA

    Almeida, João Ferreira de: ARC de 1995, ARA 2002 – SP

    Apostila IBES – Missões

    Filho, Alcino Justino: Missões no ritmo do Coração de Deus. Ed. Vox gospel 2004

    Kairós, Preparando Missionários para século XXI. Ed. Kairós 1998

    Apostila SETESC – Missões

    Boyer, Gary L. – Missiologia Ide e Pregai – SP

  • O PLANO DE DEUS REVELADO À HUMANIDADE

    ESCATOLOGIA BÍBLICA

    O PLANO DE DEUS REVELADO À HUMANIDADE

    Introdução

    A salvação escatológica a que se dirige a esperança cristã preenche o mais profundo anseio de todos que um dia aceitaram a Jesus Cristo como Senhor e salvador em sua vida, embora nem sempre estejam plenamente cônscios dessa tão grande salvação. A revelação de Deus, que criou o mundo é o que contém os dados que nos orientam a ter uma escatologia de esperança. Este assunto talvez seja um dos mais controversos da Teologia Bíblica. O primeiro motivo de discussão é o próprio conceito de escatologia, segundo Bernard L. Ramm, nos últimos setenta anos apareceram no estudo teológico voltado ao tema escatologia bíblica, três diferentes ênfases a respeito deste assunto; (1) a escatologia futurista, que sustenta que os eventos escatológicos mencionados no Novo Testamento se verificarão no futuro, (2) a escatologia realizada, que sustenta que estes acontecimentos já se cumpriram em Cristo, dizendo que o reino já veio e com ele a realização escatológica, (3) a escatologia inaugurada que procura incorporar os elementos entre essas duas posições anteriores. O presente estudo está focado na tradição dispensacionalista que apoia a ideia futurista, ou seja, os acontecimentos escatológicos como o arrebatamento da igreja, 2º vinda de Cristo, tribunal de Cristo, a grande tribulação o milênio e o juízo do grande trono branco entre outros são eventos que estão por acontecer.

    1.1. O plano divino das eras.

    Para podermos falar sobre a Escatologia futurista se faz necessário entender os métodos que governam a interpretação bíblica utilizada por aqueles que adotam a interpretação profética como eventos futuros. Este método é chamado de sistema dispensacionalista, Dispensações ou Teologia das Épocas.

    O estudo dispensacionalista da Bíblia consiste na identificação de certos períodos de tempo bem definidos que são divinamente indicados, juntamente com o propósito revelado de Deus para cada um. O dispensacionalista apoia a sua doutrina numa interpretação literal da Palavra de Deus. A interpretação literal é o método de interpretação pela qual o estudante da Bíblia procura dar a cada palavra o sentido que ela tinha na mente do autor humano que escreveu o texto Sagrado. Uma das pedras fundamentais do dispensacionalismo é a afirmação de que a Bíblia é a Palavra de Deus, verbalmente inspirada desde o primeiro capítulo de Gênesis, até o último capítulo do Apocalipse, e que ela é interpretada literalmente, isto é que cada palavra recebe o seu sentido comum e natural, como foi usada pelos autores humanos, não ignorando figuras de linguagem símbolos e tipos, este método também pode ser chamado como método gramático-histórico. A interpretação literal das Escrituras, possui sua origem na escola de Antioquia que foi uma das duas grandes escolas no estudo da exegese bíblica no período da antiguidade, juntamente com a escola de Alexandria que, por sua vez, adotava uma interpretação alegórica das Escrituras.  

    O dispensacionalismo apresenta um programa de desenvolvimento da revelação de Deus desde Gênesis até ao Apocalipse, fazendo das Escrituras uma única revelação divina que parte dum ponto para um alvo predeterminado e fixo. O dispensacionalista, basicamente, é a pessoa que, crendo na inspiração verbal e plenária das Escrituras Sagradas e interpretando-as literalmente, acha nelas uma revelação de Deus, dada progressivamente por meio de uma série de dispensações. Não vamos estudar aqui a história do dispensacionalismo, uma vez que não é nosso propósito neste artigo, visto que sabemos que existem várias contestações quanto a esse modo interpretativo das Escrituras, principalmente no que tange ao relacionamento Igreja e Israel. 

    1.2. O que é uma dispensação ou mordomia.

    A palavra vem “do latim ‘dispensatio” que quer dizer “dispensar”, “distribuir”. É esta palavra que a Bíblia vulgata usa para traduzir a palavra grega “OIKONOMIA” que significa a direção ou manejo dos afazeres de um lar, uma mordomia, ou seja, é a pessoa que dirige os afazeres do lar chamada de mordomo (OIKONOMOS). A mordomia é conferida a alguém por outra pessoa em posição de autoridade. Uma dispensação ou mordomia conferida por Deus à raça humana, ou parte dela, é a imposição aos homens de certas responsabilidades e obrigações a cumprir. Como mordomos, os homens terão de prestar contas a Deus. É – lhes exigida fidelidade, e falhando eles nas suas responsabilidades, Deus pode pôr fim à mordomia ou remover os mordomos das suas posições e nomear outros para os seus lugares. Uma definição apresentada na Bíblia Scofield é: “Uma dispensação é um período de tempo durante o qual Deus prova os homens com referência à sua obediência a uma revelação específica da sua vontade”.

    1.3. As sete dispensações.

    Esses períodos se distinguem nas Escrituras por uma mudança no método divino de tratar a humanidade, ou parte dela, no que se refere a estas duas grandes verdades, pecado e responsabilidade humana. Cada Dispensação pode ser considerada como uma prova para o homem natural e termina sempre em juízo, demonstrando assim o seu completo fracasso.           Cinco dessas dispensações ou períodos de tempo, já se consumaram. Estamos vivendo na sexta dispensação denominada graça, cujo término, segundo tudo faz crer, está por acontecer, dando assim início à sétima dispensação, chamada o milênio.

    Resumo das dispensações

    1º Dispensação (Inocência). Esta dispensação começou com a criação de Adão (Gn. 1.27), e terminou com a sua expulsão do Éden (Gn. 3. 23). Adão, criado em inocência, ignorando o bem e o mal, foi colocado no jardim do Éden com sua companheira Eva, sob a responsabilidade de abster-se de comer do fruto da ciência do bem e do mal. A Dispensação da inocência resultou no primeiro fracasso do homem, sendo os seus efeitos os mais desastrosos possíveis, culminou com a expulsão de Adão e Eva do paraíso.

    2º Dispensação (Consciência). Pela queda, Adão e Eva adquiriram e também o transmitiram à sua descendência o conhecimento do bem e do mal. Isso proporcionou à sua consciência uma base para um julgamento moral correto, o que colocou a sua posteridade sob a seguinte responsabilidade, fazer o bem e evitar o mal. O resultado da Dispensação da Consciência foi que toda a terra se corrompeu, (Gn. 6. 5, 11,12). E assim Deus terminou a segunda prova a que submeteu o homem natural ao juízo. O dilúvio (Gn. 7. 11,12, 23).

    3º Dispensação (Governo Humano). O homem em autoridade sobre a Terra, do terrível juízo do Dilúvio, Deus salvou oito pessoas às quais, depois que as águas baixaram, deu a terra purificada, com amplos poderes para governá-la. Essa responsabilidade recaiu sobre Noé e seus descendentes. A Dispensação do Governo Humano resultou na planície de Sinar, na tentativa ímpia do homem em desejar tornar-se independente de Deus e terminou com o seguinte juízo. A Confusão das línguas. (Gn. 9. 1,2; 11. 1-9).

    4º Dispensação (Patriarcal ou promessa). Dos descendentes dispersos daqueles que construíram a torre de Babel, Deus chamou um homem, Abrão, que posteriormente passou a se chamar Abraão, com quem o Senhor fez um concerto, uma aliança. Algumas promessas foram feitas a Abraão e aos seus descendentes. Foram promessas puramente graciosas e incondicionais, algumas já foram, outras ainda serão cumpridas literalmente. Outras foram também feitas, mas, seu cumprimento estava condicionado à fidelidade e obediência dos israelitas. É importante destacar, que a natureza dessa dispensação foi diferente das anteriores de Adão até Noé, pois essas ofereciam ao homem a opção, ou a fé, ou a incredulidade; a obediência ou a desobediência. Segundo Lawrence Olson, “Esta dispensação serve de ilustração e tipo de muitas coisas em vigor durante a dispensação da igreja, uma vez que Abraão é o pai da fé. Rm. 4. 1-17; 1 Co. 10.11; Gl. 3. 15-22. O fim da dispensação Patriarcal é típico da vida cristã no fim do século Pós-diluviano, assim como a vida antediluviana é típica da vida não regenerada nos dias antecedentes à segunda vinda de Cristo. Lc. 17.26.”  

    5º Dispensação (Lei). Mais uma vez a graça de Deus vai auxiliar o homem desamparado e redimir o povo escolhido da mão do opressor. No deserto do Sinai, Deus lhe propôs o concerto da Lei. Em vez de humildemente apelar para que continuasse a relação da graça, o povo responde, pressurosamente; “Tudo o que o Senhor tem falado, faremos”. A história de Israel no deserto e em Canaã é um longo relatório de flagrante e persistente violação da Lei e, por último, após muitos avisos, Deus termina a prova a que submeteu Israel pela Lei, em juízo. Primeiramente Israel levada para o cativeiro Assírio em 722 A.C., logo depois Judá para Babilônia 586 A, C, assim foram expulsos de Canaã, sendo que a sua dispersão pelo mundo ainda continua atualmente. Um pequeno grupo voltou sob as ordens de Esdras e Neemias. Desse grupo, na plenitude dos tempos nasceu Cristo. Nascido de Mulher, nascido sob a Lei. (Êx. 19. 1-8; II Rs. 17. 1-18; II Rs. 25. 1-11; Rm. 10.5; Gl. 3.10; At. 2. 22,23).

    6º Dispensação (Graça ou Igreja). A morte sacrificial do Senhor Jesus Cristo e sua ressurreição, introduziu no mundo a Dispensação da Graça, que quer dizer favor imerecido, Deus dando justiça em vez de exigir justiça, como quando sob a Lei. A salvação perfeita e eterna é agora oferecida graciosamente, tanto ao judeu como ao gentio, sendo a fé a condição única. (Jo. 3. 16; 6.29; 47; Jo. 5.24; Jo. 10. 27,28). O resultado predito desta prova do homem sob a graça é o juízo sobre um mundo incrédulo e uma igreja apóstata. (Lc. 18. 8, Lc. 17. 26-30; Ap. 3. 11-18; II Ts. 2. 7-12). O primeiro evento no fim desta Dispensação será a descida do Senhor Jesus nos ares, quando os santos que dormem serão levantados e juntamente com os crentes vivos daquele tempo, serão transladados, 1 o. 15. 50 – 58; 1 Tes. 4. 13 – 18 em seguida o tribunal de Cristo enquanto na terra a grande tribulação, logo em seguida a descida pessoal de Cristo a terra seguida do milênio, julgamento do trono branco, novos céus e nova terra. Esses acontecimentos, estudaremos mais detalhadamente adiante.

    7º Dispensação (O milênio). O homem sob o reino pessoal de Cristo, depois dos juízos divinos purificadores ligados à vida pessoal de Cristo a terra, Jesus reinará sobre Israel restaurado e sobre a terra por mil anos. Este evento será tratado mais adiante.

    2. Arrebatamento da Igreja (pré-tribulacionista) (I Ts. 4. 13-18; I Co. 15. 51,52; 1 Tes. 1.10, Ap. 3. 10).

    Os apóstolos e a igreja dos primeiros três séculos esperavam de todo o coração que Cristo voltasse para sua igreja durante os seus dias. A bendita esperança que motivava a igreja do primeiro século era a volta iminente ou a súbita e inesperada vinda de Cristo a qualquer momento. As Escrituras indicam que algumas pessoas na igreja em Tessalônica ficaram perturbadas porque alguém afirmou que a vinda do Senhor já havia passado. A resposta de Paulo para eles em 1 e 2 Tessalonicenses provavelmente deu mais impacto à crença no retorno iminente de Cristo, (2Ts. 1. 6-10).

      A segunda vinda (parousia), de Cristo consiste de um só evento, contudo o mesmo ocorrerá em duas fases. A palavra arrebatamento provém da tradução latina da palavra grega harpazo, literalmente isto significa “apoderar-se de ou apanhar agarrar”. O arrebatamento pré-tribulacionista é o segmento segundo a qual a igreja, o corpo de Cristo, em seu todo, será por ressurreição e por transferência retirada da terra antes de começar a grande tribulação.

      O arrebatamento não retirará todos os que professam fé em Cristo, mas, apenas os que tenham nascido de novo e recebido a Sua vida. A porção descrente da igreja visível, junto com os descrentes da nação de Israel, entrará no período tribulacional.

    A igreja é o corpo, do qual Cristo é a cabeça (Ef. 1.22; 5.23; Cl. 1.18), sua noiva (1 Co 11.3; Ef. 5. 23), o objeto do seu amor (Ef. 5.25), os ramos dos quais Ele é a videira e a raiz (Jo. 15. 5), o edifício do qual Ele é a base e pedra angular (1 Co. 3.9; Ef. 2. 19-22), existe entre o crente e o Senhor uma união e uma unidade. O crente não esta mais separado dEle, mas é trazido para perto dEle.

    2.1. Quanto à ressurreição dos crentes. I Co. 15. 22-24.

    Embora a igreja dos primeiros três séculos não usasse a palavra arrebatamento para descrever essa ressurreição dos crentes que já haviam morrido e o translado dos cristãos vivos, ela esperava ansiosamente o evento. Mesmo durante a Idade das Trevas, quando a interpretação literal da Bíblia foi ofuscada, alguns ainda aguardavam o translado iminente da igreja.   Paulo em I Co. 15. 22-24 declara que cada um será ressuscitado por sua ordem, Cristo, as primícias, depois os que são de Cristo na sua vinda. Como já foi citado acima o evento da segunda vinda do Senhor se manifestará em duas fases, a primeira ocorrerá o rapto da igreja que será a transladação dos crentes, tanto vivos como os que já morreram,  para estarem com o Senhor nos ares como esta descrito por Paulo em I Ts. 4. 13-18, na segunda fase o Salvador retornará no final da Grande Tribulação para socorrer Israel, ou seja, o Senhor descerá pessoalmente na terra, (Zc. 14. 1-5). Duas ressurreições, diferentes quanto ao tempo e também quanto aos que dela farão parte, verificar-se-ão no futuro. Elas são bem distintas entre si, uma é chamada da vida e outra da condenação, ou ressurreição dos justos e injustos. As Escrituras referem-se a esse assunto usando as seguintes palavras:
    Não vos maravilheis disto, por que vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação. Jo. 5. 28,29 (cf. 1 Co. 15. 22-23; 1 Ts. 4.13-16; Fp. 3.11).

    Os sinais dados à igreja dos últimos dias são; o esfriamento da fé, muitos seguirão espíritos enganadores, dissolução das famílias, delinquência juvenil, mentirosos e enganadores (2 Tm. 3. 1 – 9). Em nenhum lugar Paulo dá à igreja os sinais mencionados nos céus, fogo, pragas que ocorrerão durante a tribulação. Deus trasladou Enoque antes do julgamento pelas águas, e providenciou um modo de escape para Noé. Noé é tipo da Igreja Fiel. Deus também chamou Ló para fora de Sodoma antes de o julgamento recair sobre a cidade. É evidente que Deus chamara a igreja para fora do mundo antes que o julgamento da tribulação aconteça.

    3. Os acontecimentos para a igreja após o arrebatamento    

             Dois acontecimentos são descritos nas Escrituras de significados escatológicos em que a igreja tomará parte posteriormente ao arrebatamento são eles: o tribunal de Cristo e as bodas do Cordeiro.

    3.1 Tribunal de Cristo

    Em 2 Coríntios 5. 10 e Romanos 14.10, mesmo que nesta última referência a leitura correta é tribunal de Deus é mencionado que os crentes serão avaliados diante do Filho de Deus. Paulo em 1 Coríntios 3. 9 – 15 nos dá maiores esclarecimentos e com mais detalhes, sobre a seriedade deste assunto, reconhecemos neste texto uma ênfase sobre os que ensinam ou lideram a igreja, porém cremos que todo cristão terá que prestar contas de como construiu sua vida a partir do que aprendeu de Cristo através das Escrituras e da atuação do Espírito Santo em sua vida. 

    Primeiramente precisamos compreender o significado do tribunal, duas palavras são traduzidas por tribunal no Novo Testamento, crit erion, usada em Tiago 2.6 e em 1 Co. 6. 2,4, significando instrumento ou meio de pôr a prova ou julgar qualquer coisa; lei pela qual alguém julga ou local onde o julgamento é feito, Tribunal de juiz, banca de juízes. Logo a palavra se refere ao padrão ou critério pelo qual o julgamento era dispensado ou ao local onde o julgamento era realizado. A segunda palavra é bema, na Grécia antiga onde se realizavam jogos desportivos os atletas ao termino de suas provas reuniam – se em frente a um palanque ou tribunal que se chamava bema, onde estaria sentado o juiz que então distribuía os prêmios aos vencedores. 

      
    No relato de Paulo em 1 Co. 3. 9 – 15 sobre este julgamento Ele destaca que as obras do crente feitas por motivos indignos comparam – se a feno, palha e madeira, substâncias de fácil combustão, enquanto as obras realizadas no amor de Deus e pelo amor às almas são como ouro, prata e pedras preciosas que resistem à prova de fogo. Os acontecimentos referentes ao tribunal de Cristo ocorrerão imediatamente após a transladação da igreja para fora da esfera terrestre.

    O juiz no tribunal de Cristo. 2 Co. 5.10 deixa claro que esse exame é conduzido diante da presença do Filho de Deus. João 5. 22 declara que todo o julgamento foi confiado as mão do Filho. Devemos observar que a questão aqui não é verificar se o julgado é ou não crente salvo, o que será julgado são as obras do crente.

    Como resultado deste julgamento haverá um galardão pela obra demonstrada indestrutível pela prova do fogo, lembrando que fogo aqui se refere ao rigor com que o Senhor vai lidar neste julgamento. No Novo Testamento existem cinco áreas em relação às quais se mencionam especificamente o galardão:

    1.  Uma coroa incorruptível para os que obtiveram vitória sobre o velho homem 1 Co. 9.25

    2. Uma coroa de alegria para os ganhadores de almas 1 Ts. 2.19

    3. Uma coroa de vida para os que suportaram a provação 2 Tm. 4.8

    4. Uma coroa de justiça para os que amam a Sua vinda 2 Tm. 4.85. Uma coroa de gloria para os que se dispuseram a apascentar o rebanho de Deus 1 Pe. 5.4.

    A palavra grega stephanos que é traduzida por coroa, está associada à qualificação de honra e à dignidade concedidas ao vencedor. Embora venhamos a reinar com Cristo, a coroa real será apenas dEle, a nossa coroa é a do vencedor.

    3.2 As Bodas do Cordeiro

    Em muitas passagens do Novo Testamento a relação entre Cristo e a igreja é revelada pelo uso de figuras do noivo e da noiva, Jo. 3.29; Rm. 7.4; 2 Co. 11.2; Ef. 5. 25 – 33; Ap. 19. 7, 8; 21. 1- 22. 7. Na transladação da igreja, Cristo aparece como noivo que leva a noiva consigo, para que o relacionamento que foi prometido seja consumado e os dois se tornem um.

      Segundo Scofield as bodas do Cordeiro é a consumação do casamento entre Cristo e a igreja como sua esposa. A figura está de acordo com o costume oriental das três etapas que compunham o casamento, 1º o noivado, compromisso legal, quando os membros do corpo de Cristo são salvos como indivíduos, 2º a vinda do noivo para buscar sua noiva no arrebatamento da igreja e 3º a ceia das bodas do Cordeiro que ocorre em ligação com a segunda vinda de Cristo para estabelecer o reino milenar.

    Quando ocorrerá as bodas? Nas Escrituras as Bodas ocorre entre o arrebatamento da igreja e a segunda fase da segunda vinda de Cristo. É importante observar que na primeira fase da vinda de Cristo para o arrebatamento Jesus virá e encontrará com a igreja nos ares, 1 Ts. 4. 17, sete anos depois na segunda fase o Senhor descerá na terra 1 Ts. 3. 13; 2 Ts. 1. 6 -10; Ap. 19. 11- 21.

    As Escrituras revelam poucos detalhes desta grande ceia nos céus, sabemos que haverá uma grande ceia, Ap. 19. 7 – 9 e que Jesus pessoalmente há de servir aos salvos sentados à mesa junto com Abraão, Isaque e Jacó, Lc. 12. 35,37; 22. 30; 13.28,29. Quando Ele instituiu a Santa Ceia, disse que não beberia mais neste mundo do fruto da videira, até o dia em que o bebesse de novo no reino de seu Pai, Mat. 26.29; Mc. 14.25.

    4. A Doutrina Bíblica da grande tribulação

    Em seu sermão no Monte das Oliveiras, o Senhor Jesus nos advertiu de que este mundo ainda veria um tempo de Grande Tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido Mat. 24. 21. O período da grande tribulação ocupa mais espaço nas Escrituras do que qualquer outro evento. A tribulação ocupa mais espaço que o reino Milenar, o céu, o inferno, ou qualquer outro assunto, exceto a Salvação e a promessa da segunda vinda de Cristo. A Tribulação é mencionada pelo menos 49 vezes pelos profetas hebreus e pelo menos 15 vezes no Novo Testamento. A tribulação é também chamada ‘um tempo, dois tempos e metade de um tempo em Dn. 12. 7, Ap. 12.14 e outras passagens. Esses termos podem ser traduzidos como “um ano, dois anos e metade de um ano”, totalizando três anos e meio, que equivale a metade do período de sete anos da Tribulação.

      O período tribulacional testemunhará tanto a ira de Satanás na sua hostilidade contra Israel, Ap. 12. 12 – 17, quanto as ira do fantoche de Satanás, a besta, na sua hostilidade contra os santos, Ap. 13.7. Todavia, essa manifestação de ira nem mesmo começará a exaurir o derramamento de ira do Senhor que acontecerá naqueles dias. As Escrituras estão repletas de declarações de que esse período não é a ira do homem, nem de Satanás, mas a ira de Deus, Is. 24.1; 26.21; Jl. 1.15; Sf. 1.18; Ap. 6. 16,17; 11.18; 14.7, 10; 15.4, 7; 16. 1,7; 19.1,2.

    Com base nessas passagens, não se pode negar que esse período é particularmente a hora em que a ira e o juízo de Deus caem sobre a Terra. Esse período difere de toda a tribulação anterior não apenas em intensidade, mas também em tipo, já que vem do próprio Deus.

      O primeiro e grande propósito da tribulação é preparar a nação de Israel para o Messias. A profecia de Jeremias 30.7, esclarece que essa hora, que está por vir refere – se particularmente a Israel, pois, ela é a hora da angústia de Jacó. Este fato é demonstrado por vários trechos do Antigo Testamento, Dt. 4. 30; Jr. 30.7; Ez. 20.37; Dn. 12.1; Zc. 13. 8,9, etambém no sermão profético de Jesus, Mat. 24. 9 -26. O objetivo de Deus para Israel na tribulação é promover a conversão de judeus.

    O segundo grande propósito da tribulação é derramar juízo sobre os homens e nações descrentes. Apocalipse 3. 10 declara: “Eu te guardarei da hora da provação que há devir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra”, observamos neste verso que esse período alcançará todas as nações, Jr. 25. 32,33; Is. 26.21; 2Ts. 2.12.Com base nessas passagens, podemos ver que Deus está julgando as nações da terra por causa de sua incredulidade.

    Os três períodos das 70 semanas. O primeiro período de sete semanas, equivalente há 49 anos, teve o seu início no reinado de Artaxerxes através de Neemias, copeiro-mor Ne. 2.1,5, 8, quando pediu ao rei para voltar à sua terra e reedificar a cidade e os seus muros. Isto ocorreu em 445 a.C. quando foi dada a ordem “para restaurar e reedificar Jerusalém” Dn 9.25.

     O segundo período de 62 semanas, equivalente há 434 anos, refere-se ao tempo do fim do Antigo Testamento até a chegada do Ungido, o Messias. Nesse período, o Ungido seria rejeitado e ultrajado pelo seu povo, e morto. A cidade de Jerusalém é destruída, e há guerras até o fim. Dn 9. 25,26. Os 434 anos vão de 397 A.C até os dias da morte de Jesus. Logo depois, em 70 d. C os romanos destruíram Jerusalém. Até então, 69 semanas (ou 483 anos) se cumpriram.          

    O terceiro período abrange “uma semana” (7 anos) conforme está no texto de Dn 9.27. Misteriosamente, acontece um intervalo profético na sequencia natural das 70 semanas identificado como os tempos dos gentios (o nosso tempo), no qual se destaca, especialmente, a Igreja constituída de um povo remido por Jesus e que está em evidência até o seu arrebatamento para o céu. Após esse período terá início, a última semana, a 70ª.

    A última semana profética. No texto de Dn 9.26 surge “um povo e um príncipe” que virão para assolar e destruir Israel sob “as asas das abominações”. Esse príncipe não é outro senão “o assolador”, o “Anticristo”, “o homem do pecado” e “o príncipe que há de vir” Dn 9.26. Ele fará uma aliança com Israel “por uma semana” Dn 9.27. Virá com astúcia e inteligência. Sua capacidade de persuasão será enorme e, na aliança que fará com Israel, não terá a plena aprovação desse povo. Sua tentativa será a de restabelecer a paz, sobretudo no Oriente Médio oferecendo um tratado. O mundo todo o honrará e o admirará naqueles dias. Ele se levantará de uma força política mundial, uma confederação europeia, que, na linguagem figurada da profecia, aparece como “um chifre pequeno” que surge do meio de “dez chifres” do “animal terrível e espantoso”, conforme Dn 7.8. Esse “animal terrível e espantoso” pode ser identificado como o sistema europeu, equivalente ao antigo Império Romano. Num breve espaço, “metade da semana” (três anos e meio), esse líder alcançará o apogeu do seu domínio mundial e então haverá uma falsa paz. Nesse momento se dará o rompimento da aliança com Israel. O príncipe, embriagado pelo poder político, entrará em Israel e então se iniciará “a grande angústia de Israel” (2 Ts 2.4; Ap. 13.8-15), a Grande Tribulação.

    5. Os juízos da tribulação

     Conforme Jesus disse em Mateus 24:21, esse período será o maior sofrimento da humanidade de todos os tempos:

    “Porque haverá então grande aflição (opressão), como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver [outra vez].”

    Nesse período de sete anos dividido em dois períodos de três anos e meio, Deus enviará três julgamentos a terra:

    O Julgamento dos Selos (Apocalipse 6)

    O Julgamento das Trombetas (Apocalipse 8 e 9)

    O Julgamento das Taças (Apocalipse 16)

    Estes três julgamentos acontecerão fisicamente aqui na terra. É importante lembrar que a visão de João em Apocalipse não é simbólica, mas real. O que temos que analisar constantemente ao ler o livro de Apocalipse é que os cenários onde os eventos ocorrem se alternam entre o céu e a terra. Ou seja, no mundo espiritual, os eventos ocorrem primeiramente e depois se convertem em eventos físicos no nosso mundo natural. Neste ponto, gostaríamos de salientar que não ignoramos a interpretação do livro do Apocalipse levando-se em conta o contexto em que o livro foi escrito, mas entendemos que há sim uma mensagem que vai além do período de perseguição que estava ocorrendo quando João escreveu este livro.

    5. 1 O Julgamento dos Selos

    Este julgamento é o primeiro dos três julgamentos que o Senhor enviará à terra durante o período de Tribulação, como punição ao governo do anticristo e a todos seus seguidores.

    1º Selo: O cavalo branco

    Ap. 6:1-2. Este selo representa o governo do anticristo enganando ao mundo com sua falsa proposta de paz. Atenção: Não confundam o cavalo branco deste selo com o Aparecimento Glorioso de Jesus, que virá em um cavalo branco, no fim do livro de Apocalipse.

    2º Selo: O cavalo vermelho

    Ap. 6:3-4. Este selo representa Guerras e morte, deflagrada pelo anticristo em resposta a todos os governantes que se opuserem a ele. É possível que armas nucleares sejam envolvidas nesta guerra, será um período de violência, morte e guerra.

    3º Selo: O cavalo negro Ap. 6:5-6. Este selo representa uma grande fome à inflação incontrolável por causa da guerra. A palavra “dinheiro” (em outras traduções “denário”) significa o salário diário do tempo bíblico para o mínimo de subsistência. Haverá escassez de produtos básicos de sobrevivência e a carestia será grande, a fome se alastrará por todo mundo.

    Quando o versículo 6 diz: “Uma medida de trigo por um dinheiro [um salário de um dia de trabalho], e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho.” significa que o dinheiro das pessoas vai valer muito pouco, e que para se comprar o mínimo, será necessário todo o salário, devido à inflação alta por causa da guerra.

    4º Selo: O cavalo amarelo

    Ap. 6:7-8. Este selo representa a morte, um quarto da população da terra morrerá por consequência da guerra, fome, enfermidades.

    5º Selo: Os mártires Ap. 6:9-11. Este selo mostra os mártires, ou seja, aqueles que morreram por Cristo, João vê o que esta acontecendo no céu. Os mortos por amor da Palavra de Deus são os que foram martirizados por sua fé em Cristo e pela verdade da sua Palavra.

    6º Selo: O Terremoto Mundial Ap. 6: 12-17. Este selo mostra um terremoto violento de proporções mundiais, ou seja, atingirá o mundo todo ao mesmo tempo. Esta profecia confirma a preocupação atual dos geólogos, sobre o movimento em conjunto das placas tectônicas.

    7º Selo: Preparação para o Julgamentos das trombetas

    Ap. 8:1-2. O sétimo selo é a preparação para o próximo julgamento: o das trombetas. Observe que este momento foi tão sério que houve um silêncio de meia hora no céu.

    5. 2 O Julgamento das Trombetas

                Este julgamento é o segundo dos três julgamentos que o Senhor enviará à terra durante o período de Tribulação, no inicio do capitulo 8, o cordeiro abre o último selo do livro, o sétimo, ato interrompido pelo parêntese da visão dos dois grupos de redimidos do capitulo 7.

    1º Trombeta: Saraiva fogo e sangue Ap. 8:7. Trata-se de uma chuva de saraiva (granizo), misturado com fogo e sangue que desce do céu. Esta chuva queimará um terço de toda terra fértil, das árvores e de todas as plantas.

    2º Trombeta: Uma montanha de fogo Ap. 8:8-9. João usou o termo “montanha de fogo” para descrever um cometa que cairá no mar, matando um terço da vida marinha, transformará um terço da água do mar em sangue e destruirá um terço de todas as embarcações.

    3º Trombeta: Estrela chamada Absinto Ap. 8: 10-11. Mais um cometa que cai na Terra, e ao cair, afeta um terço de todas as fontes de águas, tornando-as amargas e venenosas. O nome Absinto foi dado por João porque o fruto absinto é amargo, e neste caso, o cometa torna amargas as águas. Muitas pessoas morrerão porque beberão desta água.

    4º Trombeta: Trevas Ap. 8: 12. Deus fará com que o sol, a lua e as estrelas diminuam sua luz e calor (no caso do sol) em um terço. Significa que o dia terá um terço a mais de escuridão e, mesmo quando for durante o dia, a luminosidade e o calor do sol serão um terço menores. O dia será mais frio e menos iluminado.

    5º Trombeta: Ataque dos gafanhotos de Apoliom Ap. 9:1-11. Um incalculável enxame de gafanhotos gigantes infernais invade a terra, e durante cinco meses atormentam os homens, exceto os que receberam o selo de Deus, v. 4; 7. 4; 14. 1.

    6º Trombeta: Os quatro anjos libertados Ap. 9: 13-19. Os 4 anjos serão libertados e liderarão 200 milhões de cavaleiros, que são demônios. Estes cavaleiros matarão um terço da humanidade com fogo, fumaça e enxofre.

    7º Trombeta: Grandes vozes no céu Ap. 11: 15-19. Esta trombeta é uma introdução aos novos julgamentos de Deus. A sétima trombeta abrange eventos que se estendem até a volta de Cristo e incluem os julgamentos das sete taças.

    5.3 O Julgamento das Taças

               Esse é o último dos três julgamentos que o Senhor enviará à terra durante o período de Tribulação. Será uma punição especialmente focada no anticristo e a todos aqueles que aceitaram sua marca.  

    1º Taça: Feridas malignas e dolorosas Ap. 16:2. Este primeiro julgamento atinge somente aos que optaram e receberam a marca da besta. É importante lembrar que a marca da besta é uma escolha consciente, ou seja, a pessoa tem a escolha de recebê-la ou não, após escolher a marca, a pessoa perderá, de uma vez por todas, a sua chance de salvação.

    2º Taça: O mar transforma-se em sangue Ap. 16:3. Todo o mar se transformará em sangue em estado de putrefação (como de morto). Como consequência, toda vida marinha morrerá. O versículo não menciona, mas é óbvio que, com o mar transformado em sangue em putrefação os seres marinhos todos morrerão, o odor que se espalhará pelos mares será insuportável.

    3º Taça: Os rios e outras fontes de água também se transformam em sangue Ap. 16:4-7. Imediatamente após a terceira taça, o mundo inteiro fica sem água para beber. O alvo deste julgamento é o anticristo. Como ele derramou o sangue de muitos crentes matando-os, agora Deus dá a ele o que ele quer: sangue, e sangue de morto.

    4º Taça: O sol passa a queimar os seres humanos Ap.16:8-9. Deus aumenta a temperatura do sol, de modo que todos os homens passam a ser queimados quando expostos aos raios solares. Mesmo assim, muitos ainda blasfemarão contra Deus e não se arrependerão.

    5º Taça: Haverá trevas sobre o reino do anticristo Ap. 16: 10-11. Este julgamento de Deus visa o reino do anticristo, porque a ira de Deus foi despertada porque o anticristo se declarou deus. É importante perceber que as feridas da primeira taça ainda estão fazendo efeito sobre os homens. Contudo, os versículos acima enfatizam que as feridas pioram com a escuridão do reino da besta. Ainda muitos insistirão em não confessar a soberania de Deus.

    6º Taça: O rio Eufrates seca Ap. 16: 12. A secagem do rio Eufrates é uma preparação para a vinda dos reis do oriente (leste asiático). Os “reis do oriente” aqui mencionados são muito provavelmente a China. Geograficamente, o rio Eufrates separa o Oriente Médio do resto da Ásia. Ao secar, os chineses poderão vir, com seus exércitos, também por terra, até chegarem ao vale de Megido ou Armagedom, para a última batalha contra Jesus Cristo.

    7º Taça: O maior terremoto da história da humanidade, seguido de uma chuva de pedras Ap. 16: 17-21. É o último dos julgamentos. O santuário exclama: “Está feito!“. Este terremoto será violentíssimo e de nível mundial desmontará a Babilônia (aqui citada como “grande cidade“) em três partes, por causa da ira de Deus.

    Após o terremoto, pedras de quase 34 kg cairão do céu sobre os homens. “Um talento” é uma medida de massa e equivale a cerca de 34 kg. Ainda sim, os homens continuam a blasfemar de Deus e não reconhecem seu Senhorio.

    6. A Batalha do Armagedom

    O Armagedom será a última grande guerra mundial da história e acontecerá em Israel em conjunção com a segunda vinda de Cristo. A batalha ou campanha do Armagedom é descrita em Daniel 11. 40 -45; Joel. 3. 9 -17; Zacarias 14. 1- 3; Apocalipse 16. 14 -16. Ela ocorrerá nos últimos dias da Tribulação, quando os reis do mundo se reunirão para a peleja do grande dia do Deus Todo – Poderoso em um lugar conhecido como Har – Magedom. O local em que se travará a batalha será na planície de Esdraelon, em redor do monte de Megido, ao norte de Israel, cerca de 30 quilômetros ao sudoeste de Haifa.

    De acordo com a Bíblia, grandes exércitos do leste e do oeste vão se encontrar e se reunir nessa planície. Do sul surgirão ameaças ao poder do Anticristo, e ele se moverá para o leste a fim de destruir seus inimigos, antes de finalmente voltar suas forças contra Jerusalém com a intenção de conquistá-la. Quando ele e seus exércitos se aproximarem de Jerusalém, Deus intervirá e Jesus Cristo voltará para salvar seu povo, Israel.

    O Senhor e seu exercito celestial destruirão os exércitos, capturarão o Anticristo e o falso profeta e os lançarão no Lago de Fogo, Ap. 19. 11 – 21. 

    Esta batalha será decisiva e porá fim por assim dizer ao antigo ciclo terrestre, permitindo o começo do reino milenar do Senhor Jesus Cristo.

    7. O Milênio

    A palavra Milênio é um termo do latim que significa “mil anos”.

    Ap. 20. 1 – 7, diz que Cristo estabelecerá seu reino e reinará por 1000 anos, o Milênio é o ponto crucial da história e um precursor para a eternidade. Durante esse tempo, Jesus Cristo será o foco de toda a criação, e Ele reinará fisicamente sobre o mundo inteiro, com poder e grande gloria, será uma tempo em que a justiça e a paz prevalecerão.

    Imediatamente após a Batalha do Armagedom e segunda vinda pessoal de Cristo, Satanás é preso por mil anos, Ap. 20. 1 – 3. Satanás como deus desta era, 2 Co. 4. 4, vem realizando a sua obra com o fim de derrotar o propósito do plano de Deus. Na era milenar a justiça divina deverá ser demonstrada, Is. 11. 5; 32. 1; Jr. 23. 6; Dn. 9.24. Será também o teste final de Deus para a humanidade nas circunstâncias ideais. Todos os recursos de tentação serão retirados para que o homem demonstre o que ele de fato é independentemente da influência satânica. A fim de que possa haver a manifestação completa da justiça e o teste da humanidade livre da tentação externa, Satanás será afastado desta esfera.

    É evidente que não há e nunca haverá um reino teocrático na terra sem a presença pessoal e manifesta do Senhor Jesus Cristo. Toda a era depende de seu retorno a terra como prometido. Tudo o que existe no milênio tem origem no Rei revelado O milênio não poderia existir sem a manifestação de Cristo, de quem depende toda a era milenar.

    O reino milênial será caracterizado pela obediência, um dos propósitos essenciais da criação era estabelecer um reino no qual houvesse obediência completa e voluntária da parte dos súditos de Deus. A árvore foi colocada no jardim como um teste de obediência, Gn. 2. 16,17. A desobediência veio logo em seguida. Deus não abriu mão de seu propósito de trazer todas as coisas à Sua sujeição, O apóstolo Paulo enfatiza esse propósito, Ef. 1. 9,10.

    O cumprimento da vontade de Deus no Milênio será muito facilitado por vários motivos:

    1. Pelo cumprimento da nova aliança, Israel experimentará novo coração e mente para que possa abrigar a Lei de Deus em seu interior, Jr. 31. 33,

    2. O Espírito Santo será derramado sobre toda carne para habitar, encher e ensinar, Jr. 31. 33, 34; Jl. 2. 28 -32; Ez. 36. 25 -31,

    3. Satanás será aprisionado, os ímpios serão eliminados, Sl. 37. 9,10; Jr. 31.29,30, e os perversos sistemas sociais, religiosos, econômicos e políticos do cosmo satânico serão liquidados.

    4. Em vez de desunião de Israel, a unanimidade será total, que eles verão juntos ao Senhor em Sião, Is. 52. 8,

    5. O conhecimento universal do Senhor eliminará a oposição à vontade de Deus causada pela ignorância.

    6. Haverá ampla submissão dos gentios à autoridade de Cristo, Sl. 22. 27,28; Ml. 1.11.

    Essa obediência perfeita será outra manifestação do caráter espiritual do Milênio.

    A plenitude do Espírito Santo será comum no Milênio, em contraste com sua raridade em outros tempos, e será manifesta na adoração, no louvor ao Senhor e na obediência espontânea a Ele, bem como no poder espiritual e na transformação interior, Is. 32. 15; 44.3; Ez. 39.29; Jl. 2. 28,29. Em contraste com a apatia espiritual, a frieza e o mundanismo do presente, haverá fervor espiritual, amor a Deus, alegria santa, entendimento universal, verdade espiritual e uma maravilhosa comunhão entre os santos.

    As condições no Milênio serão bem diferentes das atuais, a ferocidade dos animais será removida e todas as espécies viverão em paz e harmonia entre si e um pequeno os guiará, Is. 11. 6 – 8, a vida humana será prolongada, o homem outra vez viverá até alcançar idade provecta de centenas de anos, Is. 65. 20 -22; Zc. 8.4.

               O fim do milênio marcará também o fim de todas as dispensações terrestres e o fim do tempo, mas antes de adentrar na eternidade três acontecimentos estão previsto para acontecer, é o que veremos a seguir.

    8. A preparação para o reino eterno

    Há três episódios preditos nas Escrituras que podem ser vistos como atos purificadores do universo no que diz respeito ao que restou de maldição, para que o reino eterno possa ser plenamente manifesto:

    1. A libertação de Satanás e a rebelião liderada pelo mesmo,

    2. O julgamento dos pecadores no grande trono branco.

    3. Novos céus e nova terra.

    8. 1 A libertação de Satanás e a rebelião por ele liderada. Ap. 20. 2 – 3, 7 -9.

    O fim para o qual Satanás é solto percebe – se pela atividade que exercerá na época de sua soltura. Ele sai para conduzir as nações, para liderar uma rebelião contra a teocracia de Deus. Há ainda mais uma tentativa por parte de Satanás de alcançar o objetivo do seu primeiro pecado. A libertação de Satanás e vista nas Escrituras como o teste final que demonstra a corrupção do coração humano. Deus sujeitou a humanidade caída a vários testes no desenvolvimento do seu plano do reino e da redenção. O homem fracassou em todos eles.

    Não podemos esquecer que durante os mil anos a terra se tornará repleta de gente. Apesar da presença da igreja glorificada, de multidões de judeus salvos e gentios, haverá muitos que como Caim, que conhecia o reto caminho do Senhor, mas, o rejeitou, hão de permanecer rebeldes nos seus corações. Sendo solto da sua prisão vai ajuntar todos os rebeldes, cujo numero diz a Bíblia será como a areia do mar, Ap. 20.8. Estes vão marchar contra Jerusalém com a intenção de destronar o Rei. Não haverá batalha. As Escrituras descrevem em poucas palavras o que acontecerá, “Mas desceu fogo do céu e os devorou” Ap. 20.9. Com este evento todos os nãos salvos da raça humana terão experimentado a morte física. Quatro acontecimentos notáveis seguirão a destruição dos rebeldes.

    1º Satanás será lançado no Lago de Fogo

    2º A terra e os céus serão destruídos

    3º Todos os não salvos serão ressuscitados para comparecerem ante o grande trono Branco para receberem a sua sentença eterna

    4º Uma nova terra e novos céus serão criados.

    8. 2 O grande Trono Branco (o julgamento dos pecadores)

    Chegando o fim do Milênio e a ultima revolta contra Deus e o seu Cristo, todos os nãos salvos terão passado pela morte física. Depois, então haverá uma ressurreição de uma só vez, de todos os nãos salvos. Eles ressuscitarão para comparecer ante o Grande Trono Branco para receberem cada um a sua sentença, Ap. 20.12. Osque foram ressuscitados para a vida foram retirados do túmulo mil anos antes, Ap. 20. 3- 6. Os ressuscitados aqui serão julgados para receber a segunda morte, Ap. 20. 14, isto é, a separação eterna do reino de Deus. Esse é o ato final no plano realizado para que Deus seja tudo em todos, 1 Co. 15.28. O propósito de Deus no julgamento do fim do milênio é afastar do reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade. Por meio desse julgamento a soberania absoluta de Deus terá sido então manifesta.  

    O destino dos perdidos é um lugar no lago de fogo, Ap. 19. 20; 20. 10, 14,15; 21.8. Esse lago de fogo é descrito como fogo eterno, Mat. 25.41; 18.8, e como fogo que não se apaga, Mc. 9. 43, 44, 46, 48, enfatizando o caráter eterno da retribuição dos perdidos. Os ímpios serão julgados segundo as suas obras, o registro de suas obras será aberto e lido e receberão a sentença final, Ap.20. 12.

    8. 3 Novos céus e nova terra

    Em nenhum lugar as Escrituras apresentam detalhes da vida no reino eterno e Deus, mas nossa experiência atual com Ele nos apresenta uma prévia da gloria divina:

    Será uma vida de comunhão com Ele, 1 Co. 13,12; 1 Jo 3.2; Jo. 14.3, Ap. 22.4, uma vida de descanso, Ap. 14,13, uma  vida de total entendimento, 1 Co. 13.12, uma vida de santidade Ap. 21.27, uma vida de Alegria Ap. 21.4, uma vida de serviço Ap. 22. 3, uma vida de abundância Ap. 21.6, uma vida de gloria 2 Co. 4.17; Col. 3.4, uma vida de adoração Ap. 19.1. 

    “Depois estas cousas vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos, e clamavam em grande voz dizendo; Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro […] O louvor, e a gloria, e a sabedoria e as ações de graça, e a honra e o poder e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém”. Ap. 7. 9 -12.

    Considerações finais

    Ao término da nossa jornada quero fazer algumas considerações, o tema Escatologia Bíblica é um tema apaixonante que nos faz crescer na bendita graça e esperança na pessoa do Senhor Jesus Cristo que nos proporciona a alegria de saber que um dia Ele enxugará de nós todas as lágrimas. Talvez, para alguns todos esses eventos pareçam ser um script de um filme de ficção científica, mas cremos ser verdadeiramente fatos reais e também metafísicos, uma vez que muitas coisas vão além de uma explicação real e literal do contexto vivido por João. Respeitamos todas as posições contrárias, contudo aos que creem dessa forma, aconselho que possamos perseverar em seguir e servir a esse Deus maravilhoso, sabendo que o nosso trabalho não é vão no Senhor, uma vez que o mais importante de tudo isso é sabermos que Cristo voltará e precisamos estar preparados, em santidade, amor e fidelidade.

    A importância deste tema não se esgota nestas poucas paginas é preciso explorar muitas outras reflexões ligadas ao tema Escatologia Bíblica que não foram abordados neste trabalho, estes foram apenas uma síntese do sistema dispensacionalista, que Deus nos abençoe em Cristo Jesus. 

    Marcos Moraes de Paula

    BIBLIOGRAFIA

    BÍBLIA, Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Sociedade 

    Bíblica do Brasil, 1995. Edição revista e corrigida no Brasil.

    SCOFIELD. Bíblia de Estudo Scofileld. São Paulo, Ed. Holy Bible, 2009.

    CHAMPLIN, R. N., J. M. Bentes. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo, Ed. Candeia 1997.

    HUTCHING, N. W. Arrebatamento e Ressurreição. São Paulo, Ed. Betel, 1996.

    LAHAYE, Tim. Glorioso Retorno, o final dos tempos. São Paulo, Ed. Press Abba, 2004.

    SCOLFIELD, C. I. Manejando Bem a Palavra da Verdade, São Paulo, Ed. Batista Regular 2002.

    PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia, Uma análise do eventos futuros. São Paulo, Ed. Vida 2006.

    GUILEY, Paulo C. o plano das épocas, São Paulo, Ed. Missão Brasileira Messiânica, 1984.

    OLSON, N. Lawrence. O plano Divino através dos Séculos, São Paulo, Ed. CPAD 1999.

    A DEUS SEJA TODA A GLÓRIA

  • Leitura e Escrita para construção de aprendizagem significativas.

    Alfabetização e Letramento

    Leitura e Escrita para construção de aprendizagem significativas

    Alfabetização e Letramento

    Resumo

    O estudo da história dos processos de alfabetização no Brasil nos revela que, em todas as suas fases, houve um determinado tipo de desenvolvimento pedagógico e didático que envolveram diversos contextos vivenciais na formação da educação brasileira. Este texto visa analisar de forma concisa a partir dos artigos pesquisados a ideia de alfabetização, suas práticas até a obtenção do estágio de letramento, ou seja, a capacidade de não somente ler e escrever, mas compreender suas funções no contexto social do aluno. Ao mesmo tempo, visa, uma abordagem das metodologias utilizadas nas escolas para que o mesmo acorra.

    Introdução

    Segundo Cotrim e Parisi, no ano de 1534, com a chegada dos padres jesuítas em nossa terra, também assinalou o início da História da educação brasileira[1]. A partir desse período, a história da educação no Brasil passou por inúmeras transformações tanto no âmbito sociocultural, bem como das metodologias e objetivos da educação. Nossa proposta não é discorrer sobre toda essa trajetória, porém, ao destacar o início da história da educação brasileira temos como propósito apenas apontar para a dimensão, extensão e complexidade do tema educação que tem como objeto de estudo temas como alfabetização e letramento como parte das práticas pedagógicas.

    As concepções aqui retratadas, foram analisadas a partir dos artigos supracitados que serão o foco central, a atividade foi desenvolvida em três etapas, leitura e análise dos textos e conclusão por inferência. O texto de Bordignon e Wolff, apresentaram a partir da história da educação as concepções pedagógicas que ocorreram no ensino escolar referentes a alfabetização e letramento no processo de ensino-aprendizagem. Bordignon e Wolff delimitam sua pesquisa a partir do século XX
    Quanto ao Texto de Daniela Martins, parte de pesquisa escolar com crianças e profissionais do 2º ano de alfabetização, utilizando metodologia de pesquisa qualitativa. Melo e Marques, apresenta o percurso histórico do processo de alfabetização no Brasil, desde meados dos anos de 1880 até a década de 2012, com a assinatura do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC).

    Síntese histórica e conceituação de alfabetização

    Como observamos acima, a história da educação brasileira tem suas raízes no século XVI, porém nossa viagem terá início no período 1880 a 1920, período em que alfabetização foi considerada como sinônimo de civilizar, disciplinar e que segundo Melo e Marques já apresentavam uma discussão teórica entre os defensores dos métodos Sintético e Analítico. Já em meados de 1920 até 1980 com o início do movimento escola nova surge a partir dos estudos de Lourenço Filho o chamado teste ABC cujo propósito era medir o estágio de maturidade dos alunos, a avaliação consistia em oito testes, coordenação visivo-motora, memória imediata, auditiva, lógica, prolação, coordenação motora, atenção e fatigabilidade. Um dos objetivos nesta nova etapa era homogeneizar as salas. Este foi um período relevante para os estudos dos processos de alfabetização, visto que os estudos de Lourenço Filho foram considerados como a primeira pesquisa científica brasileira a discutir o assunto. Porém, a fundamentação teórica dos Testes ABC não deu conta de solucionar a questão da alfabetização, uma vez que, não havia aplicação entre professores, já que, na prática, o que chegava nas mãos dos professores era apenas os manuais de aplicação dos mesmos. Desta forma, cabia aos professores apenas aplicação e classificação dos educandos, segundo manuais pré-moldados por terceiros.

    Bordignon e Paim, analisam as modificações no processo de alfabetização, a partir das mudanças ocorridas igualmente no final do século XIX. Dividindo-as em quatro etapas, sendo elas 1º 1876 – 1890, metodização da leitura que possuía como principal eixo, marcha sintética, da parte para o todo, da soletração alfabético partindo dos nomes das letras, fônico sons correspondentes as letras e da silabação emissão de sons, 2º a institucionalização do método analítico frente a proposta de modernização e progresso do novo estado, bem como a universalização da escola, neste período as cartilhas assumem papel relevante como ensino inicial da leitura e da escrita. 3º etapa que eles denominam alfabetização sob medida, este descreve o período já mencionado anteriormente, com as pesquisas de Lourenço Filho, que desenvolve estudos na área escolar utilizando a psicologia no que culminou no teste ABC. É importante salientar que no período de 1970, a alfabetização era compreendida como o aprendizado da leitura e escrita e o método de ensino estava subordinado ao nível de maturidade das crianças. O 4º momento desse desenvolvimento, Bordignon e Paim apontam como Desmetodização do ensino, visto que houve neste momento a incorporação do pensamento construtivista, que a partir dos Ciclos básicos bem como dos Parâmetros Curriculares Nacionais, fundamentam aos processos de alfabetização a partir da teoria construtivista de Piaget, porém difundida por Emília Ferreiro, nesta teoria os principais pontos eram, a valorização do conhecimento da criança no desenvolvimento educacional, onde o professor atua como mediador e o aprendizado se dá pela prática, bem como a valorização das experiências anteriores dos educandos e a necessidade de educadores se atualizar frente aos desafios principalmente sociais e tecnológicos.

    Na mesma ótica construtivista, Daniela Martins destaca que, a construção da alfabetização deve acontecer de uma maneira geral e ampla, reconhecendo e dando ênfase a todas as qualidades que o aluno traz consigo, trabalhando essas qualidades em favor de sua aprendizagem. Porém, a mesma autora destaca que os métodos e práticas de alfabetização são da escolha de cada professor, uma vez que, o currículo muitas vezes não atende as demandas dos alunos, porquanto, o processo de alfabetização exige dos professores, práticas, métodos e concepções que atendam essas multiplicidades. Ela conclui que, alfabetizar está muito além de ensinar grafia e reconhecimento oral das palavras, que precisa haver um comprometimento na formação dos sujeitos como pessoas autônomas.

    É interessante, que a teoria construtivista foi um avanço para o pensamento pedagógico, visto ser completamente oposto ao que se chama de educação bancária, que perdurou por muito tempo como metodologia de ensino, onde o professor era o centro do processo de aprendizagem, ou seja, todo o saber estava reservado ao professor e os educandos apenas depositários. Podemos observar, que todo esse desenvolvimento contribuiu para as discussões e desenvolvimento da educação no Brasil, quanto a alfabetização, mas todo esse processo não conteve, ou melhor, não deram conta de estabelecer uma sociedade verdadeiramente letrada, isto devido a inúmeros fatores socioeconômico e culturais e metodológicos, porém os avanços teóricos na área da educação trouxe um novo conceito. Bordignon e Paim ressaltam que devido às demandas sociais contemporâneas, chega ao Brasil nos anos 80 o conceito de letramento.

    Letramento, entendido como condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita, ou seja, letrado seria aquele sujeito que possui condições de saber utilizar de forma adequada e prática a leitura e a escrita no cotidiano frente às demandas sociais em que vive, sendo avaliado pelas competências de leitura e de escrita. E interessante observar, que letramento é compreendido como atributo pessoal, o processo de como cada um se apropria da habilidade do ler e escrever, sabe como utilizar socialmente a leitura e escrita, compreende sua funcionalidade no exercício de uma cidadania autônoma. Portanto, alfabetização e letramento são fatores inseparáveis na ação pedagógica, que necessitam ser trabalhos desde os primeiros anos escolares, proporcionando as crianças uma verdadeira inserção em contextos sociais e culturais na contemporaneidade.  

    Considerações finais 

    A ideia de alfabetização no Brasil tem uma longa história e definições que foram sendo trabalhadas de várias formas por vários estudiosos em múltiplos contextos, porém a ideia predominante e sempre relacionada a ela é que alfabetizar é levar ao aluno a desenvolver o domínio da leitura e escrita, porém, pôde-se observar que o desenvolvimento da alfabetização no Brasil envolveu uma série de abordagens, teorias e métodos, condicionamentos sociais, culturais e econômicos.   Inicialmente, entendia-se alfabetização como aprender o alfabeto e sua utilização na escrita conforme a fala. 

    Contudo, as metodologias também foram sendo ampliadas consoante os contextos sociais de cada época, porém percebemos que todos eles até chegarmos ao conceito de letramento, em que não basta ler e escrever é preciso saber utilizá-lo nos contextos sociais da vida, visavam proporcionar o desenvolvimento da instrução nas escolas públicas. A tarefa de ampliar métodos contemporâneos atendados às desafiadoras demandas da pós-modernidade ainda precisam de muitas reflexões.

    O importante é que estamos no caminho certo, porquanto, com as novas tecnologias a nosso dispor, ainda teremos muitas discussões que vão nos proporcionar uma diversidade de métodos para melhorar o ensino nos anos iniciais da criança na escola. Lembrando que, não existe um único método, teoria ou abordagem que seja completa e que seja peculiar a todos os contextos sociais que encontramos na imensidão desta terra chamada Brasil. Pois, mesmo existindo, PCNs, teorias e métodos e outras orientações, criatividade, conhecimento técnico, teórico, histórico e prático, perfazem o currículo daqueles que se propõe a tarefa de educar.    

    Marcos Moraes de Paula 

    Referências bibliográficas

    COTRIN, Gilberto Vieira; PARISI, Mário. Fundamentos da Educação, história e filosofia da educação. 4. Ed. São Paulo: Saraiva, 1981. 260 p.

    Referências eletrônicas

    ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL: UM POUCO DE HISTÓRIA, Lorita Helena Campanholo Bordignon & Marilane Maria Wolff Paim.

    http://www.periodicosfaced.ufc.br/index.php/educacaoemdebate/article/view/372. Acesso em 26/08/2019.

    ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: métodos e práticas escolares, Daniela Martins.

    http://sinop.unemat.br/projetos/revista/index.php/eventos/article/view/2018/1602. Acesso em 26/08/2019.

    HISTÓRIA DA ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL: NOVOS TERMOS E VELHAS PRÁTICAS, Eliane Pimentel Camillo Barra Nova de Melo e Silvio César Moral Marques.

    http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Poiesis/article/view/5137. Acesso em 30/08/2019. 

  • Tillich e o método de correlação

    Reflexão

    O método de correlação de Tillich constitui-se em concatenar perguntas existenciais aos símbolos religiosos, estabelecendo um sentido de relação do finito ao incondicional. Nesta tarefa o teólogo precisa articular o que é finito, ou seja, questões vivenciais encontrados na existência humana, indicando como a religião responde a essas questões e aplicá-las hermeneuticamente. A tarefa do teólogo (a) esta justamente ligada em identificar para cada situação presente respostas na revelação da mensagem cristã, ou seja, interpretar a vida com a ajuda da Bíblia, uma vez que, a revelação bíblica veio como um meio de ajudar ao Ser humano a compreender a vida e descobrir e aprender a viver e se relacionar com o incondicional (Deus) tendo como exemplo o novo Ser (Cristo).

    Nesta tarefa não podemos dispensar as ciências que fazem parte dessa articulação teológica, a filosofia, antropologia e sociologia que nos ajudam a entender o homem, seus anseios, necessidades e seus questionamentos existenciais. Portanto, o método de correlação procura estabelecer como as manifestações culturais têm relação com os símbolos religiosos, ou seja, com a própria religião, porquanto, a religião, como substrato do desejo humano, proporciona e dá sentido à cultura.